”TÔ CUMENO NADA”
17 17UTC maio 17UTC 2011
AÃ galera,
Esse emelho é de Claudinei, mas aqui é Jonilson que tá falando. É
porque eu não tenho emelho aà ele me liberô pra escrevê no dele. E eu
quero falá é sobre isso mermo: emelho. A parada é o seguinte. Ôto dia
eu tava procurando um serviço no jornal aà eu vi lá uma vaga na loja
de computadô, aà eu fui vê lá, colé de mermo. Botei uma rôpa sacanage
que eu tenho, joguei meu Mizuno e fui lá, a porra. Aà eu cheguei lá,
fiz a ficha que a mulé me deu e fiquei lá esperando. Nêgo de gravata e
as porra eu só “nada… tô cumeno nada!”. AÃ, eu tô lá sentado, pá,
aà a mulé me chama pa entrevista, lá na sala dela. Mulé boa da porra!.
Entrei na sala dela, sentei, pá, aà ela começô: a mulé perguntano
coisa como a porra, seu sabia fazê coisa como a porra e eu só…’’sim
sinhora, que eu já trabalhei nisso já“, jogano 171 da porra na mulé e
ela cumeno, a porra! Aà ela parô assim, olhô pra ficha e mim perguntô
mermo assim: “você mora aÃ, é ?”, aà eu disse “é.”. Só que eu nun
sô minino, botei o endereço de um camarado meu e o telefone, que eu já
tinha dado a idéa já pra ele se ela ligasse pá ele dizê que eu sô
irmão dele e que eu tinha saÃdo, pra ela deixá recado, que aà era o
tempo dele ligá pro orelhão do bar lá da rua e falá comigo ou deixá o
recado que a galera lá dá. Eu nun vô dá meu enedreço que eu moro ni
uma bocada da porra! Aà a mulé vai pensá o que? Vai pensá que eu sô
vagabundo tomém, né pai… Nada! AÃ, tá, a mulé só perguntano e eu
jogando um “h” da porra na mulé, e ela gostano vú… se abrindo
toda… mulé boa da porra! Aà ela mim disse mermo assim: “ói, mim dê
seu emelho que aà quando fô pra lhe chamá…- a mulé já Ãa me chamá já
- … quando fô pra lhe chamá, eu lhe mando um emelho.”Aà eu digo
“porra… e agora ?”. Aà eu disse a ela mermo assim “ói, eu vou lhe
dá o emelho de um vizinho meu pra sinhora, que ele tem computadô, aÃ
ele mim avisa”. Mintira da porra, que o cara mora longe como a porra
e o computadô é lá do trabalho dele, aà ele Ãa tê que mim avisá pelo
telefone lá da rua. AÃ, depois quando eu disse isso, a mulé empenô.
Sem mintira niua, ela me disse mermo assim:
“aÃ, não: como é que você qué trabalhá ne loja de computadô e
não tem emelho? “. Aà ela bateu no meu ombro assim e disse “Ói, hoje
em dia, quem num tem emelho, ximba!”, falô mermo assim, véi, a
miserave da mulé. Miserave! Mas aÃ, eu Ãa fazê o que, véi? Aà uns dias
depois eu acabei conseguindo um seviço de ajudante de predero: um pau
da porra!
Eu pego 7 hora da manhã e leva direto, a porra, de 7 a 7, aà meio dia
para pra almuçá, comida fêa da porra, e acabô o almoço nun discansa
não, volta pro seviço. É pau, vú véi… é pau viola mermo. É por isso
que eu digo, é como a mulé disse: “quem nun tem emelho, ximba!”. É
isso aÃ. Os cara que nun recebero esse emelho vai ximbá, na moral, dá
um pau da porra, quando chgá fim de mês, recebê uma merreca. Agora pra
você que recebeu esse emelho, eu vô lhe dá a idéa, ói, vá lá na loja
que ainda tem a vaga! Já fui! Esse emelho é de Claudinei, mas aqui é
Jonilso que tá falando. Valeu!
Jonilso.



